quarta-feira, 30 de março de 2011

Rio Grande - Curral Alto

No dia seguinte, me despedi do João, da Marina e da dona Marlene, que cuida da casa do João. Não tenho palavras pra agradecer, por tudo o que fizeram. Essa é uma das muitas coisas que vou levar na memória pra sempre...

Ainda em Rio Grande, eu e meu grande novo amigo João, na Ed. da FURG.
Sai de Rio Grande perto das 10hs da manhã, pois tive que ir até até o lugar onde o João trabalha e pegar a bicicleta, os equipamentos de camping, voltar até a casa e arrumar o alforge... Por isso minha saída tardia de Rio Grande. Comecei a pedalar em direção à Quinta, e vi que tinha alguem pedalando atrás de mim. E pedalando forte! "Vamo! Vamo!" Olhei pra trás, um senhor que devia ter seus 60 e tantos anos. "Vamo! Vamo! Tais vindo da onde, tchê?" Nossa, aí comecei a conversar com ele durante os próximos 20 km adiante.

O Sr. Cadaval treina regularmente em Rio Grande, e participa das competições no Uruguay, tanto de MTB quanto de Speed. Fui trocando uma idéia, da estrada, de pedalar, de tudo. Show de bola! No fim ainda brinquei com ele "se eu chegar na sua idade pedalando, já sou feliz!" Aí paramos nesse posto de gasolina (aliás, o último posto de gasolina próximo da civilização, já explico porque adiante) e tiramos essa foto. Eu segui pro Sul e ele pra casa.


Depois do posto, a estrada virou uma reta infinita. Nada de nada adiante, apenas a reta e as plantações de arroz, uns bois perdidos no pasto. As vezes rolava de ver aqueles bois que só existem no Canal do Boi, era uma distração! 

Comprei umas frutas de dois senhores que vinham numa Belina pela estrada, me provi de bananas, maçãs e pessegos e toquei adiante. Lá pelo meio-dia, parei na frente uma granja. Era a única que tinha na estrada, uma área enorme. Tinha uma senhora na entrada, perguntei se poderia sentar na sombra e comer umas frutas antes de seguir. Ela consentiu, e me perguntou se já tinha comido. Respondi que não, e ela me indicou o refeitório onde poderia ganhar um prato. Achei aquilo formidável, pois não teria que descarregar as tralhas e cozinhar, seria um tempo absurdo.

Fui até o tal refeitório e me apresentei, tal qual a senhora da entrada havia me dito. Nisso ela me fala que não seria possivel e tudo mais. Enfim... era 50% de chance. Quando tô voltando pra pegar a bicicleta, eis que uns homens da mesa começam "ô Rosane, marca na minha conta", vários deles. Depois vim a descobrir que alguns deles eram os donos da granja. E me perguntaram da viagem, pra onde ia e de onde vinha... Foram muito legais, me oferecendo esse almoço. Nisso um deles me fala, "amanhã tô indo pro Chuí, se quiser te dou uma carona na caminhonete". E disse que se ficasse pela estrada aceitaria mesmo! (Proféticas palavras...)

Após de almoçar, pedalei mais um tanto e cheguei na Capilha. Diz a lenda que é a igreja mais antiga do Rio Grande do Sul, aproveitei pra descansar e comer umas frutas por lá também.




A Capilha é um lugar com uma vibe muito massa. Tipo, uma positive vibration altoastralizante saca? Eu era o único infeliz de bicicleta naquela 5ª feira. Vale a pena parar e dar uma olhada, é uma capelinha muito interessante. Pena que tá praticamente destruída. Saí da Capilha eram umas 16hs, talvez.

On the road again, entrei na reserva do Taim.

Entrada da Reserva do Taim, a Falcon tá ali no canto esquerdo da foto.
Em aproximadamente 20km de extensão é possível ver um pouco da fauna dessa região do Rio Grande do Sul. Porém, como era de se esperar, o tráfego nessa região é intenso. E não raro os animais atropelados...

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Abaixo, algumas fotos do lugar:




Eu tinha que passar pela reserva de dia, senão corria o risco de não ter por onde ficar. Isso era o mais preocupante naquele momento. Sabia que aquele trecho tinha que ser feito todo de dia, mas não estava cansado, o vento tava nas costas o tempo todo! Foi coisa linda. Passei pelo posto do IBAMA e ainda dei um alô para os funcionários.


Lá pelas 20hs cheguei no Posto do Português. Reconheci de cara o lugar, porque o Nelson tinha passado por lá em junho, indo pro Uruguay, as fotos não enganaram! Fiquei trocando uma idéia com o Sr. Salazar (nada mais português... porém, com um temperamento bastante distinto do antigo ditador que governou Portugal por quase 40 anos), ele me contou de "dois rapazes que passaram por ali em junho". Ele quase não acreditou quando eu disse que conhecia um deles pela Internet. Foi muito bacana!

Nisso o filho dele me mostrou onde poderia ficar, no antigo restaurante que tem ao lado do posto de gasolina. Podia armar minha barraca e cozinhar por ali, depois abriu o banheiro onde pude tomar uma ducha. Afinal foram 138km rodados até ali...

Aí vem o incidente mais idiota da viagem...

Deixei minha sacola com os rangos do lado da barraca já montada. Fui tomar um banho, quando volto vejo apenas um sachê de temperos no chão. A sacola tinha evaporado! Fiquei perdido! "Como é que pode!!!" E fui falar com o pessoal do posto, e eles dizendo que ninguém tinha passado por ali e que eu tava pirando. Mas como?? A resposta veio dos quadrúpedes...

No posto habitam 2 pastores alemães, do tamanho da minha cintura. Vi um deles rolando, e não entendi o porque. Só depois é que saquei, que foram eles que deram cabo da minha comida... Na sacola tinha uma lata de atum, macarrão, molho de tomate, temperos e... meia perna de salame. A hora que lembrei desse "detalhe" a ficha caiu. Não tinha mais o que fazer, fui dormir. Dormi com um olho aberto e outro fechado, a movimentação de caminhões ali era intensa!

No dia seguinte, acordei cedo pra cair na estrada. Peguei a lanterna e fui atrás de alguma coisa, sabia que os cachorros não teriam a manha de abrir a lata de atum e nem o molho, muito menos de preparar o macarrão! Fui atrás, dito e feito. Recuperei o atum e o molho, o macarrão tava destroçado! Acertei minha conta com o pessoal do posto (acabei comendo uns pastéis e outras guloseimas do lugar) e toquei adiante. Detalhe: me restavam 5 reais e ainda tinha 50km pela frente até o próximo posto, onde talvez, por ventura, quiçá, poderia trocar uma grana e almoçar decentemete.

Com o filho do Sr. Salazar, na manhã do dia 24/12

Foto do restaurante desativado e do Posto do Português

terça-feira, 29 de março de 2011

Últimos tempos... e contratempos!

Olá pessoal, infelizmente minha interrupção nas postagens por tempo (quase) indeterminado se deveu inúmeros fatores que não convém nesse momento enumerar. Dentre eles, eu fiquei na Sibéria sem Internet, e assim meu tempo para escritas e pesquisas e afins ficou digamos... comprometido.

Trocando em miúdos: volto a atualizar o blog com o relato da viagem, que escrevi de forma sucinta no Biocicleta também. Da mesma forma, escrevo também sobre as últimas "aventuras" em duas rodas, longe da então chamada Banda Oriental.

O On The Rato não morreu, só deu um tempo ali no canto e já agora tá voltando, revigorado. O Elvis também não morreu, uma hora ele ainda volta.

Obrigado pela compreensão de todos os que lêem e se motivam a andar de bicicleta, viajando ou só dando uma banda até a padaria.

Um grande abraço,
Antônio Celso

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Período altoastralizante em São José do Norte e Rio Grande

No domingo, cheguei em São José do Norte. Assim que cheguei na lancha, liguei pro João e ele me buscaria do outro lado, já em Rio Grande. Na lancha, vim conversando com um cara, que me deu dicas muito boas sobre a cidade. Depois de quase 140km rodados, o descanso no barco foi muito bom.

Cheguei em Rio Grande, e encontrei o João. Logo comecamos a conversar e ele disse "Tche, tenho que ir pra rádio, eu apresento um programa de jazz, voce gosta de jazz?" Nossa, eu fiquei de cara... "Gosto sim, e como!! Eu sou tenorista!!" Fui pra casa dele, deixei minhas coisas, tomei um banho e fui pra rádio, pro programa. Eu conhecia pouquissima coisa do que eles apresentavam, era muita coisa nova, que eles recebiam dos próprios musicos, grande parte deles norte-americanos. Caminhos do Jazz, é a rádio, só coisa boa que o João Reguffe e o José Celmer apresentam todos os domingos, pra quem tiver interesse em jazz e boa música, é imperdìvel!

Deixei minha bicicleta no lugar onde o João trabalha, e minhas coisas também, de camping e tudo mais. No dia seguinte, fui atrás do conserto da bicicleta. Achei um lugar pra arrumar, troquei o manete, a alavanca de câmbio e pedi pra desempenar a roda traseira, além de trocar o parafuso do bagageiro.

A tarde, a Marina (filha do João), me convidou pra ir praia com ela e mais uns amigos, em São José do Norte. Como tava de bobeira, aceitei e fui. Peguei algumas roupas, pus na mochila e fui. A princípio, voltaria no dia seguinte, mas lá foi show de bola... Passamos no mercado antes de pegar a lancha e compramos uns 2 peixes pra levar.

Eu, Tacy, Maurício, Marina e Mariana

Lá foi muito legal, no dia seguinte compramos mais 2 peixes e fizemos assado...


 
Eu deveria voltar na 3a feira, mas só voltei na 4a feira. Foi muito legal, um bom descanso antes de pegar a reserva do Taim e o trecho até o Chuí. Quando voltava pra Rio Grande, recebi uma ligação do Pedro, dizendo que ele, o Gueds e o Bruno estavam chegando a São José do Norte... Não acreditei!

No fim, conversamos por uns 20 minutos e eles seguiram pro Uruguay. Foi show de bola encontrá-los!

Pedro, Bruno, Gueds e eu próximos a estação das barcas de Rio Grande

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Tavares - Rio Grande do Norte


Foto da janela do quarto que fiquei em Tavares, no amanhecer do dia 19/12, domingo.

Acordei destinado a chegar a Rio Grande do Norte, 140km ao sul. Até então tinha pedalado 115km num único dia, indo até Palmares do Sul. Pensei bastante e fui bastante concentrado.

Levantei às 6:20hs, apesar de ter ido dormir quase a 1h. Arrumei tudo e fui tomar café, café da manhã de hotel, com queijo e presunto e mamão e iogurte. Comi pra caramba, paguei a conta e disparei dali. Logo estava na estrada, pegando o vento a favor e indo a 26km/h. Dali de Tavares até o povoado mais próximo eram 54km, em Bujuru. A medida que pedalava as florestas de pinus se tornavam mais acentuadas, e o que é mais grave: a dispersão delas no Parque Nacional da Lagoa do Peixe... Isso sim é triste. É uma merda duma planta exótica que mata praticamente tudo ao redor que não seja ela mesma!

Pedalei cerca de 1h até achar essa placa.


Foi uma alegria imensa ver essa placa, entrava agora no município de São José do Norte. Detalhe: quem tirou a foto foi a bicicleta!! Apoei a máquina no selim, show de bola. Dali ainda faltavam uns 30km até Bujuru. A paisagem não mudava nada, nada e nada... Volta e meia cruzava um carro, ou caminhão, mas a estrada era muito boa e eu tinha o vento a favor. Rapidinho cheguei aos arredores de Bujuru, quando encontrei a macumbinha.

Vi umas velas e milho no canto da estrada. Logo saquei que era uma macumbinha da hora! Imediatamente lembrei do Sandro, o caçador de macumbas! Ele insiste em dizer que são as macumbas que perseguem ele... Enfim! Tirei uma foto e, quando tava voltando a pedalar, o pneu furou... 

Nossa, comecei a praguejar, merda de macumba! Fudeu meu dia... Faltavam 5km pra chegar em Bujuru!! Enfim, lá fui eu, 11hs da manhã e depois de 436km rodados, trocar o pneu da magrela. Mas, eis que surge a surpresa!!!

Fui tirar a roda traseira, pra trocar o pneu, e descubro que o bagageiro tava completamente solto!! Sem o parafuso que prende perto do eixo traseiro, do lado esquerdo!! Além disso, o aro traseiro estava completamente torto, dando um arrasto considerável. Entrei em pânico, achando que não poderia seguir viagem e tudo mais. Por uma fração de segundos, cogitei a possibilidade de pedir carona até São José do Norte... Mas isso logo passou, porque tinha achado a solução!

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Primeiro decidi pedalar até São José do Norte com o freio traseiro aberto, por causa do aro. Depois, acabei por pegar um parafuso do suporte da caramanhola e prender o bagageiro com um parafuso daqueles!! Fiquei pensando onde o parafuso do bagageiro tinha caído... Ou se tinha sido quando entrei na fazenda do Sr. Breno, ou se foi na queda do dia anterior. Enfim! Pra evitar casos como esse, o pessoal da Topeak deveria mandar parafusos sobressalentes!! No mínimo!

Troquei o pneu sem muito nhem nhem nhem, e segui até Bujuru, pra achar um borracheiro que pudesse me ajudar. No fim achei, o Seu Maninho, era perto das 12hs. Começamos a conversar, ele me perguntando de onde vinha e pra onde ia. Inclusive me contou de um holandês que passou por ali, no mês anterior. Foi muito legal conversar com ele, me deu dicas valiosas do trecho a seguir.

Pedi pra ele um pouco de graxa, pois achei a corrente muito seca. Ele me trouxe vaselina industrial... Os barulhos passaram todos depois disso, foi jóia. Quando tava indo embora, ele me convidou pra almoçar com sua família. Fiquei meio sem jeito de recusar, pois tinha programado nem almoçar, pra chegar logo em São José do Norte e pegar a lancha! No, fim acabei ficando. E almocei com sua esposa e filha. Tudo muito simples, mas com muito carinho. Nunca vou esquecer esse almoço com eles... Aquilo foi de uma sensiblidade que não tenho palavras pra explicar. Acabei conversando com todo mundo, enquanto comia um prato de arroz, feijão e peixe frito. Foi muito gostoso!

Agradeci a eles pelo almoço e segui viagem. Até aquele momento tinha pedalado 54km em 2hs, saí dali com o sol a pino e fazendo 31 km/h, com vento à favor. Recomecei a pedalar as 14hs, tinha ainda uns bons 80km pela frente!

Durante a tarde fazia paradas periódicas, a cada 15km rodados. Parava e descansava, tomava água e/ou comia uma mariola. Esticava as pernas. Essa foto é numa dessas paradas, a 15km antes de chegar a São José do Norte. Na ponte sobre o rio Miguelita.


Cheguei em São José do Norte eram quase 18hs, depois de quase 140km rodados em pouco mais de 5hs. Um feito notável, considerando o peso e as adversidades do caminho. Liguei pra Fernanda, avisei que tava tudo ok (importante ressaltar que de Bojuru a São José do Norte eu não achei telefone público... nenhum) e que estaria naquele momento pegando a lancha. Fui me informando pelas ruas, e pedi informações a um grupo de caminhoneiros que esperavam pela balsa. "Tchê, mas tu veio rápido hein?? A gente cruzou contigo tu tava pedalando lá atrás!". Foi uma puta surpresa encontrar aqueles caminhoneiros.

Na estação das lanchas, que ligam São José do Norte a Rio Grande, liguei pro João, com quem entrei em contato através da comunidade Cicloturismo para perguntar onde poderia ficar em Rio Grande, qualquer dica de albergue barato seria mais que bem vinda! O João me pegaria no mercado, perto das balsas. Entrei, e pude descansar... Aquele domingo foi puxado.

Rio Grande, vista da lancha de passageiros

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Caçimbas (Mostardas) - Tavares

Nesse dia, saí da fazenda do Sr. Breno Azevedo pouco antes das 8hs. O dia se manteve firme, com um vento moderado a favor e com muitas nuvens. Segui em direção a Mostardas.

Em São Simão, depois de quase 1h pedalando, parei no posto pra descansar e comer alguma coisa. Já tinha rodado 25km. Cheguei e o frentista brincando perguntou "álcool ou gasolina?", e eu respondo "álcool, mas só depois das 20hs" hehehehehe Usei o banheiro e recarreguei a água e segui adiante. Fiquei quase 1h por lá.

Uns 10km depois do posto, o asfalto começou a ficar muito ruim, com muitos buracos. Os raros veículos que encontrei iam muito devagar e desviando daquelas crateras lunares. A coisa era bruta. Num ponto, eu vinha embalado a 28 km/h quando não vi um desses buracos. Foi questão de instantes, a bicicleta foi pra um lado e eu rolando, pro outro. Felizmente, nada de grave me aconteceu. Comecei a perceber se estava inteiro assim que caí. Vinha no sentido oposto, a uns 100m um carro com uma família de Porto Alegre. Na mesma hora me perguntaram se eu estava bem e tudo mais, respondi que sim e eles seguiram. Depois de ver se eu estava inteiro, fui ver a bicicleta como estava... Lastimável.

Percebi que o guidom e o manete esquerdo tinham entortado com a queda. Rapidamente os coloquei no lugar e segui viagem. O susto foi grande, fiquei pensando no que poderia ter acontecido o dia todo... Pedalei por mais 15km e cheguei a Mostardas. Logo fui no banco pegar uns trocados e procurei um restaurante pra almoçar. Eram 11hs.

Conversei com um senhor que estava sentado numa casa ao lado do restaurante, para ver se ele não faria o favor de deixar minha bicicleta por ali no seu quintal enquanto eu almoçava. O Sr. Teco Pereira, logo aceitou, dizendo que no ano anterior tinha recebido em sua casa 2 rapazes que viajavam de bicicleta, indo do Chuí ao Oiapoque, tudo pelo litoral. Fui almoçar na sequência. 

No restaurante, perguntei do farol que tinha perto de Mostardas a um senhor que almoçava próximo. Aí ele me disse que tinha um trecho com dunas e que era melhor chegar com um carro 4x4. Então ele me perguntou "que carro é o teu?" (quase ri nessa hora... hehehehe) e respondi "o meu carro tem 2 rodas e não tem motor!" e no que ele responde "tchê, tu tais viajando de bicicleta?" hhahahaha Foi muito engraçado!

Terminei o almoço e fui conversar com o Sr. Teco Pereira, na casa do lado. Ele abriu a garagem e me deixou estender meu colchonete, pra uma "soneca". Sem palavras, ele leu meus pensamentos! Ele acabou saindo e eu fiquei ali, tirando meu cochilo. Acordei lá pelas 14hs, talvez menos e fiquei lendo. Nisso ele chegou e começou a falar de como era Mostardas e da época que ele era motorista de caminhão e de como fez o trailer pra ir pros rodeios com a família. Foi fantástico conversar com aquele homem! No fim, me falou da estrada até Tavares, e de um ponto da estrada que dava pra ver a Lagoa dos Patos e o Oceano Atlântico. Infelizmente não achei esse trecho...

Eram quase 17hs quando segui viagem, ainda tinha mais 25km até Tavares e a noite vinha rápida. Segui por um trecho cheio de Pinus, de ambos os lados da BR101. Foi triste ver o que infelizmente está virando a campanha gaúcha: um imenso deserto!

Cheguei a Tavares eram quase 19hs, peguei muito vento contra no caminho. Inclusive um princípio de chuva... Vesti o anorak e segui. Entrei na cidade e não gostei nada da localização da Brigada Militar. Inclusive, alguns meninos que passavam acharam minha bermuda muito engraçada, perguntaram se eu "estava na moda" não entendi e perguntei o por quê, daí eles disseram : "isso parece uma cueca!" ahahahahahahah Eu vejo tudo e não morro....

Achei muito inseguro o lugar, e então preferi um hotel, não sem antes passar no mercado e comprar bananas, um abacaxi e duas caixinhas de toddynho (no caminho fiquei com vontade de comer um abacaxi e tomar toddynho =D). Antes de chegar no mercado, encontrei um cara de Porto Alegre que me perguntou de onde vinha e tals, e me falou de um amigo que era pastor e que estava construindo um templo, perto dali. Esse pastor estava construindo 3 quartos nos fundos, para os missionários. Bom, fui ver qual era. Nisso ele foi me falando da cidade e tudo mais. No fim o dito pastor não tinha como me abrigar, mas foi muito gentil em me falar de um genro que tem no Chuy, proprietário de uma fiambreria. Fiquei de passar lá e pegar uma carta de recomendação, mas acabei não indo, esqueci totalmente.

Achei Tavares uma cidade estranha, não sei dizer o que senti. Comi as bananas e tomei o toddynho. Botei minha roupa pra lavar e tomei um banho. Depois fui na praça comprar um xis e logo voltei pro hotel. Rapidinho, pois vi que na Tv Escola passava um documentário sobre o cerco a Viena, em 1529. Fui comprar o xis e voltei pra assistir. Muito legal o tema, pois é o tipo de detalhe interessantíssimo que passa batido num curso de História, como foi no meu curso. Aí, antes de dormir, comi o abacaxi.

domingo, 19 de dezembro de 2010

Mostardas e Tavares

Vou resumir os fatos, depois com calma vou inserindo as informações conforme vou registrando no meu livro.

Depois de Palmares do Sul, de onde saí meio tarde - diga-se de passagem - segui em direção a Mostardas. Seriam em torno de 100km, mais ou menos. Depois de 34km, parei em Bacopari onde procurei o posto de gasolina mais próximo pra comer. Ali, o responsável me indicou uma garagem que servia como borracharia antigamente... O lugar era muito, muito sujo...

Ali, fiz meu arroz com salaminho e champignon, décadence avec élégance, como já diria o Lobão... (a foto eu vou ficar devendo, mas ficou algo digerível!). Esperei o vento virar, e segui em direção a Mostardas. Isso eram quase 16hs. A chuva fina começou a me perseguir, de novo! E comecei a procurar por abrigo, afinal já eram 19hs, quando tinha cerca de 60km rodados, o vento começou a vir contra! Fui parando em vários lugares (que depois eu explico com mais detalhes!) até que parei numa fazenda. Entrei e pedi ao capataz, para ver se poderia acampar por ali, mas ele disse que precisava esperar o patrão chegar... Esperei o patrão. De repente, estou eu lá com meu livro, e ele vem. Depois dos cumprimentos, ele me pergunta o que eu preciso! Digo que gostaria somente de um canto pra armar minha barraca e dormir, mas ele faz algo melhor do que isso. Além de me dar um lugar abrigado pra dormir, me convida a jantar e oferece o café da manhã! O jantar era arroz carreteiro, feijão, salada e costela assaada! Um troço de bom! Divino! A ajuda do sr. Breno caiu do céu!


Enfim, no dia seguinte, peguei a estrada de novo em direção a Mostardas e Tavares, a localidade dessa fazenda do Sr. Breno chama-se Caçimbas. Fiz uma boa progressão no inicio da manhã, com média superior a 25 km/h. Logo o sinal da Tim existia e eu podia entrar em contato com minha mãe e a Fernanda. Cheguei a Mostardas antes do meio dia, almocei e deixei minha bike na casa do lado, do Sr. Teco Pereira. Terminei de almoçar e pedi a ele para tirar um cochilo na sua garagem! O sol já ia alto, era muito ruim encarar uma lua daquela até Tavares, 30 km mais longe.

Fiquei conversando com ele até umas 17hs, quando o sol começou a sumir. Peguei a estrada e um puta vento contra. Somado a isso, o asfalto com brita deixava o pedalar meio lento mesmo. A média nesses 30 km não passou de 24 km/h. Cheguei em Tavares e procurei o quartel da Brigada, mas não tinha ninguém lá, então decidi pegar um hotel mesmo. Descobri em seguida que poderia lavar minhas roupas! Perfeito!

Logo que cheguei na cidade, tratei de comprar frutas (abacaxi e banana) e toddynho!! hehehehe Tomei um banho, me instalei e fui comprar um xis pra comer no hotel. Voltei e dormi!

Agora tô aqui na frente do computador, lá vai 7hs e a mulher do hotel ainda não subiu pra abrir a porta pra eu começar a arrumar a bicicleta, gostaria de fazer isso antes do café da manhã.

Hoje são 127 km até São José do Norte. Tomara que dê tudo certo.

Espero escrever novamente em Rio Grande!

Um grande abraço a todos, 
Antônio Celso

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Praia Grande - Palmares do Sul

Pessoal, o tempo aqui é meio curto, então serei sucinto!

Cheguei ontem vindo de Curumim, uns 10km perto de Capão da Canoa. Lá, fiquei num camping jogadíssimo, mas que tinha um banheiro pra um banho (com agua cheia de barro é verdade), preparei um rango, e no dia seguinta tava na estrada. A viagem até lá dei super tranquila, fui pela Estrada do Mar até lá. Minha intenção era ir até Capão, mas não quis forçar muito no 1º dia. Fiz 94km nesse dia.

No dia seguinte, acordei e desmontei acampamento. Segui em direção a Osório, onde cheguei antes do meio dia. Lá almocei e segui em direção a Capivari do Sul, uns 50km ao sul. Lá, procurei o quartel da Brigada Militar, mas eles não puderam me ajudar (na real houveram mais coisas, depois eu conto) e acabei seguindo até Palmares do Sul. A chuva tava no meu encalço. Cheguei até aqui e procurei a Brigada, dessa vez foram mais tranquilos, começaram a perguntar da viagem e tudo mais. Inclusive, tinham dois policiais civis que estavam também chegando ali, onde ficarão 45 dias na cidade fazendo rodízio (depois eu explico!).

Saí com eles pra comer um xis e tomar uma cerveja, tava acabado! No fim me arrumaram um colchão! Foram 115km no 2ºdia. Nesse momento escrevo do computador da delegacia!

Quando chegar a Rio Grande vou postar as fotos, hoje sigo pro sul. Não onde exatamente...